{Procura Desesperada}

Autora: Gabriela // 22:29 // domingo, 13 de junho de 2010


Era uma vez uma mulher. Ela procurava algo, ou alguém. Quando nasceu, viu seus pais; mas não eram eles quem procurava. Aos 4, encontrou vários amiguinhos no colégio, porém em nenhum deles podia ver o que queria. Durante um tempo, passou tentando esconder de si mesma sua procura desesperada. No fundo, no fundo, entretanto, ela olhava para cada amigo como aquilo que desejava. Uns sentiam seu olhar de prazer e se afastavam. A maioria sequer notava sua fútil existência. Começou a namorar, mas logo desmanchou o compromisso: não era nele que ela poderia encontrar. A cada ano que passava, enlouquecia mais. Viajou para o mundo inteiro. Conheceu chineses, australianos, iranianos, franceses, holandeses, africanos, egípcios, americanos, índios. Nenhum deles poderia de alguma forma desenhar a paisagem de sua vida. Ela começou a se desesperar, encontrar pessoas pela internet. Chegou ao ponto de telefonar para vários desconhecidos, discando números aleatoriamente. O resultado é conhecido: decepção. Internaram-na. Na clínia, porém, ninguém resistia a seu olhar faminto, por isso a levaram para um hospício especializado, numa ilha remota. Assim que chegou, deixaram-na correr pelos belos campos da prisão enfeitada. Ela correu até o abismo que encontrava o mar. Observou o céu púrpuro-cerúleo. Observou o mar calmo e sua enorme grandeza. Observou a tênue linha do horizonte, que dividia os homens aos céus... Abriu os braços. Sorriu, pela primeira vez na vida, pois encontrara seu Criador.

Gabriela Chaves, 13/06/2010, ao som de Build Theme n° 4

Marcadores: ,



15 Comentários





Mais um poema

Autora: Gabriela // 12:10 // terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Não tenho muito a dizer, estou sem inspiração. Mas, antes que eu esqueça, preciso postar isso:















Eu vou editar ainda esta semana, coloco algo interessante.



EDITANDO - 7/mar:
Como eu não tive inspiração pra nada de interessante, vou encher vocês com mais um poema meu. Na verdade, eu tenho muitos assuntos reflexivos pra colocar aqui, mas na hora AGÁ eu perco a inspiração e o texto fica horrível...

{O Soldado}
Era linda a casinha humilde
daquele soldado
Era caprichosamente polida
a botina
daquele soldado
Era uma farda de herói!
a farda
daquele soldado
Era feliz a vida
daquele soldado
E toda dedicada ao país.
Era enorme o patriotismo
daquele soldado.
Era um só o futuro
daquele soldado!

Houve uma guerra
e nunca mais se ouviu falar
naquele soldado
E seu país não fez questão
e nem eu sei
o nome daquele soldado.

Marcadores: , , ,



26 Comentários





{Transplante}

Autora: Gabriela // 13:50 // quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


Procuro um rosto.

Procuro um rosto no qual eu possa ver o Mundo com outros olhos.
Enxergar outras realidades. Obervar detalhes.
Admirar a natureza mais do que olhar com raiva os políticos.

Procuro um rosto no qual eu possa sentir outro cheiro
que não este odor de mágua e imperfeição.
Um cheiro suave de menta recheada com paz.

Procuro um rosto no qual eu possa olhar pra frente.
Chegar naquela casa desmoronando...
Com meus novos lábios gritar "papai"...
E com os ouvidos ouvir novamente aquele som grave e forte
que tanto me traz saudade.

Procuro um rosto no qual eu possa me olhar no espelho.
Ver o meu rosto.
E não esta máscara que envolve meu verdadeiro ser
pra tentar parecer "normal" diante da sociedade.

Procuro um rosto no qual eu possa me identificar.

Procuro um rosto que possa sentir de novo os teus lábios.
Quentes, macios...
Sentir teu cheiro de Musk...
Olhar no fundo do teu oceano verde...
Ouvir as três palavras tão esperadas...
E finalmente sentir de novo o gosto da vida...
num beijo teu.

Procuro um rosto que não é meu.


Gabriela Chaves, 18/Jan/2008
Comentários: eu não tinha nada pra postar, então catei um textinho velho e pus aqui hehehe
Espero que gostem ^^

Marcadores: , ,



8 Comentários





Apenas um poeminha...

Autora: Gabriela // 00:03 // quinta-feira, 19 de novembro de 2009


{Ela&Ele}


Ela adorava o jeito como ele andava,
mesmo manco,
mas ele não sabia.
Ela amava o timbre grosso da voz dele,
mesmo rouco,
mas ele não sabia.
Ela gostava do jeito como ele respirava,
mesmo sem ar,
mas ele não sabia.

Ela era muda
Mas ninguém sabia...




Ah, foi um poeminha que eu escrevi de repente. Não ficou tão bom quanto o original que eu tinha imaginado. Mas dá pra engolir.

Já consertei os comentários, fiquem à vontade! xD
(Vocês nem pra me avisarem que tava ruim, né? >:[ )

Bobbeiras? Bem, eu tinha pensado num discurso pra hoje. Mas estou com sono e amanhã tenho que estudar muita física!
Eu já disse que estou fazendo Engenharia Eletrônica na UFRJ, né?
Bem. Está sendo mega-master-legal. Superando todas as minhas expectativas.

É isso. Beeeijos!

- Baixando Human After All, We sing, we dance e Sims3.
- Antonio
- If It Kills Me - Jason Mraz

Marcadores:



7 Comentários





{Estorinhas de uma vida irreal}

Autora: Gabriela // 15:22 // quinta-feira, 26 de junho de 2008


PARTE I - 10h45min
Capitão Teixeira!
Sim senhor?
Chame o Batalhão 15.
Senhor?...
Ligue para o Comando do Batalhão 15, capitão!
É... é grave, senhor?
Muito. Aqueles moleques vingaram a morte do Salgadinho e fuzilaram o 39.
39?! O... o Silva?!?
Vá chamar o Batalhão 15, capitão Teixeira!

PARTE II - 13h15min
Gabriela esperava no ponto de ônibus: seu pai viria buscá-la em breve. Sentou no banquinho do ponto. Carros, nuvens, pessoas, um ventinho frio, um pombo... Mas algo chamou sua atenção visual e auditiva para o céu...

PARTE III - 13h15min
E aí, preparado?
Bem... é a primeira vez que faço isso num helicóptero, mas acho que consigo...
Que merda tirarem o Oliveira. Ele era muito bom nisso. Mas você foi o melhor atirador em terra, cê consegue. Bem, fique calmo. Pega o atirador. Tá vendo aquela casinha azul? Fica bem atrás. Olha na mira. Lembra da descrição, né? Alto, magro, moreno escuro, R15...
Senhor, todos são assim!
Mas só o Gaivota anda com um R15. Os outros andam com dois ou um 47.
Foi esse que matou o Silva, né?
É, ele era braço direito do Salgadinho...

PARTE IV - 13h15min
Bem-feito pr'aquele filho da puta!
Gaivota, onde nóis taca o mulambo?
Porra, Fumado! Taca lá no valão pros poliça pegá!
Gaivota, Gaivota!
Qualé, muleque?
Tem um helicótro vino lá do outro morro pra cá!

PARTE V - 13h15min
Silvia, 39, levava sua filha do colégio pra casa. Ela morava no morro, que pena, lá no morro que disseram ter o corpo de um poilicial há uns 3 dias. Realmente teve tiroteio, no qual Silvia deu graças a Nossa Senhora Aparecida porque era aniversário do sogro, por isso ela não estava em casa. Nem Karla, sua única filha.
Mãe, mãe! Olha lá no céu, mãe!

PARTE VI - 13h23min
Quem diria... eu no Batalhão 15!
É, moleque... hehe... OLHA LÁ, OLHA LÁ! Vê se aquele não é o Gaivota!
Tô vendo! É ele! Eu atiro?
Calma!... Ô Peixoto, estabiliza vôo! Porra, eles vão atirar nagente! Dá a volta no morro, Peixoto!
Eu atiro?
Calma, cara, eles já viram a gente, que merda!

PARTE VII - 13h25min
Pra lá e pra cá... O que esse helicóptero estaria fazendo ali? Gabriela pensava incessantemente naquilo. Seria uma busca por um bandido? Seria mais uma batalha daquela Guerra?
Pra lá e pra cá... Gabriela ficou preocupada com o pai que se demorava.

PARTE VIII - 13h27min
Mãe, compra chiclete?
Não, filha. Chiclete faz mal aos dentes.
(Ah, se eu não tivesse dentes mamãe iria comprar todo chiclete do mundo pra eu!)
(Ah, se eu fosse madame comprava todo chiclete do mundo pra Karla...)

PARTE IX - 13h22min
Atira logo nessa porra, seu viado!
Calma, Fumado! O Gaivota falô pra nóis ficá aqui e só atirá quando o licoptro tivé virado pra lá!

PARTE X - 13h32min
Acho que aqui eles não vêem a gente... Peixoto, tudo certo? Estabiliza, estabiliza... Isso!...
E eu?
Você agora mira, procura o Gaivota e boa sorte que hoje a noite a gente janta frango frito! Hahaha!
A gente vai matar o cara?... EU vou matar o cara?!?
Não quer? Não entrasse pra polícia! Procura logo o Gaivota pra gente ir embora logo. Hoje é aniversário da minha irmã, tem almoço na casa dela...
Posso atirar?
Deve! E vê se não erra o tiro porque se não...
AQUI! Achei ele! Tá na mira!...

PARTE XI - 13h40min
Gabriela nem ouviu o tiroteio porque já tinha sido buscada por seu pai e já estava terminando o almoço.
O pai dela perguntou algo sobre o vestibular da UERJ, uma coisa desse tipo. Depois ela foi tomar banho e, em seguida, estudou química.
Talvez o dia de Gabriela não fosse diferente se ela soubesse que no helicóptero tinha um policial que atirou e matou o Gaivota. Mas talvez ela se encomodasse se ligasse a tevê e ouvisse a Fátima Bernardes ou outra qualquer dizendo que Silvia Cardoso, 39, "morreu de bala perdida" após um tiroteio provocado pelo helicóptero. A Karla, que já era órfã de pai, agora ia ter que morar com a avó e o tio. Mas o que Gabriela faria pra impedir? Mataria o Gaivota? Impediria o helicóptero?

Gabriela não ligou a tevê; foi estudar química.


Conversando com Off
Ouvindo Autumn (The four seasons) - Vivaldi

Marcadores: , ,



4 Comentários






Veja outros posts